
Danae, de Henri Fantin-Latour
No meio daquele corpo tinha o meu
rasgando-o em beijos de desfolhada;
a hora, não era tempo, não era nada
nem a noite se estendia pelo céu,
nem o sol despontava com a madrugada.
Os lírios lá estavam nos canteiros
bailando na nova luz qu'aparecia;
no meu sono despregado do dia
não via a caminhada dos obreiros
nem o rosto sereno que ao meu lado, dormia.
Oh! quanta luz, quanto desejo
de te ter, mulher!
O teu olhar é um beijo
que o meu corpo só quer.
José Manuel Capelo, Miragem, Editora Montanha, 1978
Sem comentários:
Enviar um comentário