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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Hoy el Mar es Mas Azul Que el Cielo...
Mira, amor!
Hoy el mar es más azul que el cielo!
No sé por qué, pero necesitaba decírtelo
porque, sintiéndome cansado, sé perfectamente
que mi fatiga no viene de la tierra, sino de ese lugar azul,
de ese largo camino extenso que me hace pensar.
Por otra parte, dejé a medianoche
mi silencio al otro lado de la puerta.
Cuando llamaste, qué oíste?
No fue un torbellino de semblantes
con las voces de mi proprio eco?
Sí, amor, puedes estar segura.
Hoy el mar es más azul que el cielo!
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José Manuel Capêlo, Y si no existieses? Antología, Olifante, 2002
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
três poemas para Bárbara
III
Bárbara no centro da terra. qualquer lugar, é o centro da terra.
José Manuel Capêlo, Enche-se de Eco a Cidade, Átrio, 1989
terça-feira, 28 de outubro de 2008
três poemas para Bárbara
II
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
três poemas para Bárbara
I
estás inerte como o desconsolo, Bárbara.
estás inerte como os dias que se levantam tristes, com a luz afogada para lá das nuvens, inerte como o terrível pesadelo a acordar-nos durante o sono ou como a palidez da rua molhada por tanta chuva.
e o teu desconsolo, Bárbara, é o meu olhar.
José Manuel Capêlo, Enche-se de Eco a Cidade, Átrio, 1989
domingo, 26 de outubro de 2008
Há um lugar-ontem onde se distingue o plano da cidade
Há um lugar-ontem onde se distingue o plano da cidade
o efeito da luz, as memórias dos vivos e dos mortos
lugar onde, as nuvens se aproximam da linha da terra
e se esquecem de passar pelas alturas dos deuses.
Sabe, oh! alma inquieta e temperada, que os rituais
se fazem, desprendendo os olhos do círculo
o corpo da terra, os painéis das paredes.
Tudo é oculto e breve. Tudo se vê.
Há um segredo em cada um de-nós. Um segundo ilusão.
Um segundo verdade. Um segundo mentira.
Fingi-lo, é percorrermos o caminho estreito
da nossa miséria presa às cadeias do vento.
José Manuel Capêlo, A Voz dos Temporais, Átrio, 1991
sábado, 25 de outubro de 2008
recordações
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Leituras
Lê, primeiro, os labirintos, as cavernas, as grutas. Lê, a seguir, os montes, os vales, as planícies. Lê, ainda, os riachos, os rios, os mares, os céus. Lê, enfim, homem e humano.
José Manuel Capêlo, Rostos e Sombras, Sílex, 1986
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Princípio VII
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Viesses tu, oh! amada,
explicado apenas pela solidão da casa
pela suspensão dos sonhos ou pela sobrevivência das
---------------------------------------------ambiguidades
Oh! quanta antiguidade existe nisso tudo!...
José Manuel Capêlo, A Noite das Lendas, Aríon, 2000
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Longos cabelos louros
Longos cabelos louros tem a noite
e a saudade queima no meu peito.
Longos cabelos louros são longínquos
neste fogo que se me magoa desfeito.
Longos cabelos louros são imagens
que o vento leva e não devolve.
Longos cabelos louros tem o tempo
que por mim passa e se dissolve.
Longos cabelos louros são a força
deste desespero que não aguento.
Longos cabelos louros esvoaçam
levados pela força e pelo vento.
Longos cabelos louros são passado
dum tempo que foi meu e não o quis.
Longos cabelos louros tem a memória
de tudo o que queria, mas não fiz.
José Manuel Capêlo, Y si no existieses? Antología, Olifante, 2002
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
ode do pequeno órfão

Tinha oito anos!
Uma flor, meu pai, nessa manhã submersa de ecos e fantasmas que me apareciam. Foi a minha cavalgada de desespero. Uma corrida sem fim. Ainda hoje a vivo. Viverei... Há dentro de mim, o teu sorriso, a tua boca, a tua alma. O nosso reino será, sei-o, o infinito do nosso encontro!
domingo, 19 de outubro de 2008
em times square
no encadeado dos dedos
bem como o apetite
de quem tem a raiva nos olhos...
Parti à procura da luz
que vinha do sexo
(por onde me debruçava)
acabando por encontrar a
tua face
enamorada de outras rugas!
Times Square
não tinha mudado de sítio
nem tão pouco
as mãos dos pobres
que se estendiam a cada canto.
Quando plenamente te ris-te
compreendi que tinha
outro céu
à minha frente...
José Manuel Capêlo, corpo-terra, Trelivro, 1982
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Tarde em Outubro
Se (todo) o mistério é fingido, grito o meu eco por o conseguir esconder.
José Manuel Capêlo, Rostos e Sombras, Sílex, 1986
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Vazio total
Há sempre uma voz em cada infinito
e um infinito em cada silêncio.
Só que não há um silêncio
em cada voz infinita.
No entanto
há sempre um quotidiano em cada alma
e uma realidade pouco habituada.
José Manuel Capêlo, Rostos e Sombras, Sílex, 1986
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Deixaram-te no sítio onde hoje estás
Deixaram-te no sítio onde hoje estás
-rodeada de pinheiros e heras movediças
de fontes de água e morros alcantilados
de nudez descoberta e terra virgem.
Lembra-te d'as horas, porque não te poderá lembrar
o sossego, a eternidade, a riqueza vã
das águas... Lembrar-te-ão os que te amaram
e contigo foram amantes, porque jamais esquecerás
que o sol que te brilhou, foi nuvem certa
no próprio lugar em que passavas.
José Manuel Capêlo, A Voz dos Temporais, Átrio, 1991
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
em infinito de montanhas penumbradas
domingo, 12 de outubro de 2008
Silêncio azul
Neste silêncio de rochas talhadas
nesta maresia de ecos distantes
soam contornos de bocas fechadas
em palavras de amantes.
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José Manuel Capêlo, Rostos e Sombras, Sílex, 1986
sábado, 11 de outubro de 2008
Abandonar as minhas mãos aos teus olhos
Abandonar as minhas mãos aos teus olhos
nesta noite de reflexo real-intenso
é saber que o teu corpo tem vários ecos:
um todo irreal, invulgar, imenso.
José Manuel Capêlo, A Voz dos Temporais, Átrio, 1991
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Como se nada soubesses! Como se nada te dissesse
Como se nada soubesses! Como se nada te dissesse
a aragem do vento ou a memória dos temporais!
Recorda-te do astro grande na noite de ouro
nos filhos que levaste, cegos, ao altar dos sábios
e que deixaste esquecidos nas casas de almas gentis.
José Manuel Capêlo, A Voz dos Temporais, Átrio, 1991
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
A minha alma
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O delírio é uma sensação vaga e estranha
O delírio é uma sensação vaga e estranha
uma causa que o medo não pondera
como se a floresta dos dias
crescesse com a mesma força
com que desponta o indistinguível entardecer
na radiosa madrugada dos raios vivos.
Não me apetece dizer que a minha sensação
é triste ou é rara ou se perde
no correr do alheamento
O que me importa falar
não é de mim
nem do que se me sente sentindo
mas da irreparável força
que me sustenta a cabeça
me abraça os ombros
me beija a face
me entra pelos ouvidos.
Estou igual a mim sem o ser
O universo é a pirâmide de Keops
posta nos olhos dos homens
durante a noite. Por isso
pretendo observar o verde Nilo
roçar as arestas de Israel
em campos do Egipto.
Como é tardo o delírio nas camas da Índia
com a Babilónia solta nas florestas de papel
Entre o riso e olhar
há um gesto que se põe. O final
é o grito contra a derrocada do Império
nas mãos do encoberto de Sagres.
José Manuel Capêlo, Margens, Perspectivas & Realidades, 1983
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Silenciosa é a luz e descobre-nos. Ontem, tinha sido um dia
José Manuel Capêlo, A Voz dos Temporais, Átrio, 1991
domingo, 5 de outubro de 2008
Nunca idade nenhuma é boa para se morrer

Mas quando a morte vier, que venha
sem que (na altura) nenhuma pena tenha
de fazer baixar quem tiver que ser.
José Manuel Capêlo, Margens, Perspectivas & Realidades, 1983
sábado, 4 de outubro de 2008
o horizonte guardo e calo
nessa lembrança que o tempo traz, formigueiro da alma que os anos juntaram, há dias de sombra e noites de luz que recordam os homens e esclarecem montanhas.
levantei-me cedo - quantas noites, quantos dias ? - de acordar farto e nada feito, o azul a inventar as estrelas e a polar razão dos olhos em vigília. todos os ecos, todas as distâncias, assim guardado na minha ilusão deslumbrada.
era-me fácil assim feito, preso a tudo, que não era o todo, aguardando as horas no seu passar ligeiro como aves suspensas por cima dos telhados, saudade dos dias que me retiveram virgem, rigores e muitas imagens a crescerem dos dedos.
o horizonte guardo e calo na secreta memória.
José Manuel Capêlo, Enche-se de Eco a Cidade, Átrio, 1989sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Nunca digas

— Estarei aqui para ver!
quando na realidade
tudo o que os dias te trouxeram
é pura realidade desconhecida.
Nunca imagines ter uma flor na mão
quando a realidade é o sono
que nos domina.
Por isso, nunca digas:
— Estarei aqui para ver!
José Manuel Capêlo, Margens, Perspectivas & Realidades, 1983
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Em noite de Janeiro
pela cidade iluminada.
O que vejo, é nada.
E avanço...